Mitch Evans Faz História em Miami: Vitória Estratégica e Olhos no Futuro da Fórmula E

                                                                               

A etapa de Miami da Fórmula E não foi apenas um retorno triunfal da categoria ao sul da Flórida, mas também o palco para um marco pessoal de Mitch Evans. O piloto da Jaguar TCS Racing garantiu seu recorde de vitória na série elétrica, em uma corrida complicada pela chuva, onde decisões táticas afiadas e uma leitura impecável das condições da pista fizeram a diferença.

Após o pódio, Evans refletiu sobre os elementos que levaram à vitória, discutiu as mudanças internas na Jaguar, avaliou sua posição no campeonato e especulou sobre o futuro com a chegada iminente do Regulamento Gen 4.

Estratégia Impecável em Meio à Imprevisibilidade

Evans admitiu que sua classificação não era brilhante, mas a corrida virou a seu favor quando a chuva começou a ditar o ritmo dos carros e as escolhas estratégicas. O momento crucial, segundo o neozelandês, foi adiar o uso do Attack Mode, indo contra o padrão usual em pistas molhadas. Com alertas de que a chuva poderia voltar com força, ele guardou seus ataques para um ponto mais oportuno da prova.

“Normalmente, em corridas molhadas, as pessoas ativam o Modo Ataque mais cedo, caso a pista seque. Temos dados que mostram que a chuva voltaria intensa, então optei por atrasar meus ataques para ter vantagem depois”, explicou Evans.

A aposta deu certo. Ele conquistou posições logo na primeira volta, manteve um ritmo sólido e ultrapassou rivais que já haviam usado o primeiro Attack Mode. Um ajuste fino na estratégia selou o negócio: enquanto a equipe sugeria dividir os ataques em dois períodos de quatro minutos cada, o piloto preferiu 2 e 6 minutos, o que lhe deu uma vantagem clara sobre os concorrentes no final da corrida.

“Olhando em retrospecto, foi uma escolha certa. Os caras contra quem eu disputava estavam no modo de seis minutos no fim, e eu tinha um ritmo forte. O carro surpreendeu”, disse ele.

Nova Era na Jaguar e Parceria com Félix da Costa

A vitória em Miami veio em um período de transição na Jaguar TCS Racing. Evans falou sobre se adaptar ao novo companheiro de equipe, António Félix da Costa, e ao comando de Ian James, o novo chefe da escuderia.

Embora nunca tenham corrido juntos antes, Evans destacou a longa amizade de longa data com o português, que começou em 2011, e elogiou a experiência que Félix da Costa trouxe da Porsche.

“Somos amigos e até parceiros em negócios, o que torna tudo interessante. Ele vem de uma das equipes mais fortes dos últimos anos, e a integração fluiu naturalmente”, comentou Evans.

Sobre Ian James, ele ressaltou a bagagem da Fórmula 1, com passagens por Mercedes e McLaren, e a intenção vencedora que o líder busca implantar na Jaguar.

“Ele traz uma visão nova e ainda está traçando o rumo de prazo médio da equipe, mas nossa colaboração tem sido produtiva”, acrescentou.

Registro Histórico e Foco no Título

Com a vitória em Miami, Mitch Evans se tornou o piloto com mais triunfos na história da Fórmula E, um feito que ele falou como especial e reflexo de sua consistência ao longo das temporadas.

Mesmo assim, o piloto deixou claro que o objetivo principal é o título mundial, que ainda lhe permite escapar. Após um começo de temporada turbulento, Evans mantém o otimismo.

“Ainda é cedo no campeonato. Estou cerca de 14 pontos atrás da liderança, e tudo pode mudar rápido nessa categoria”, avaliou.

O neozelandês, porém, foi franco ao considerar que precisa melhorar em pistas secas, onde sentiu uma leve perda de competitividade em relação ao ano passado. Para ele, o próximo teste em Jeddah será a chave para encontrar soluções.

Jeddah, Pit Boost e Novos Desafios Táticos

O próximo evento da Fórmula E traz uma complicação extra: a corrida terá apenas um Modo de Ataque, combinado ao Pit Boost, um sistema de recarga rápida durante a prova. Para Evans, isso muda significativamente a abordagem estratégica.

“Eliminar um dos modos de ataque altera muito o jeito de pensar a corrida. Vou passar bastante tempo no simulador para entender melhor. As provas com Pit Boost são sempre complicadas de gerenciamento”, afirmou.

Futuro Incerto ea Era Gen 4

Outro destaque da conversa foi o futuro de Mitch Evans. Em seu último ano de contrato com a Jaguar, o piloto admitiu que a proximidade do novo regulamento Gen 4 torna o momento crucial para decidir os próximos passos na carreira.

“É um período fascinante, mas imprevisível para saber quem será competitivo. Quero avaliar quem me dará a melhor chance no Gen 4. Há muito respeito e confiança com a Jaguar, mas é natural pensar em novos desafios”, revelou.

Miami como Palco da Fórmula E nos EUA

Por fim, Evans elogiou a experiência no Autódromo Internacional de Miami, notando que a pista fica mais próxima do centro da cidade do que Homestead. Ainda assim, fez uma crítica técnica ao traçado.

“Achei a pista um pouco curta. Para o Gen 4, esse layout não funcionaria”, observou.

O piloto também reforçou a importância do mercado americano para a Fórmula E, lembrando que o público dos Estados Unidos é exigente e tem muitas opções esportivas.

“Se você vencer na América, vencer em qualquer lugar”, concluiu.

Texto/tradução: Ana Elisa

Informações: Fórmula E

 

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