

24 Horas de Daytona 2026: Um Quebra de Recordes em Meio ao Caos
Às 24 Horas de Daytona de 2026 começaram exatamente como se esperava de uma prova de endurance clássica: com um pandemônio inicial que lembrou a todos que sobreviver aos primeiros minutos seria tão crucial quanto manter um ritmo consistente. Desde o sinal verde, ficou claro que esta edição não perdoaria deslizes – e os que erraram pagaram um preço alto logo de cara.
Primeira Hora: Largada Agitada e LMP2 em Apuros Imediatos
A partida foi um verdadeiro furacão. Nas primeiras curvas, um acidente envolvendo carros da LMP2 desencadeou o primeiro Full Course Yellow da corrida, paralisando o pelotão antes que ele pudesse se organizar. Com pneus ainda frios e o tráfego congestionado, a categoria LMP2 foi a mais castigada no começo.
Carros como o #11 da TDS Racing, o #18 da ERA Motorsport, o #2 da United Autosports e o #04 da Algarve Pro Racing foram forçados a parar nos boxes para reparos logo nos primeiros minutos, alguns com danos sérios. As penalidades vieram em cascata: a ERA Motorsport levou um Stop & Go de dois minutos por sua participação no incidente, enquanto TDS e Algarve receberam punições de 10 segundos por falhas no protocolo de emergência.
Na classe GTP, o cenário foi mais controlado. O Porsche Penske #7 tomou a dianteira, seguido pelo Acura #93, que pulou da terceira para a segunda posição. Pouco depois, Kevin Estre, no Porsche Penske #6, ultrapassou o Acura, colocando a equipe alemã com dois carros na liderança. Mesmo assim, nem tudo correu liso: o BMW #24, pilotado por Dries Vanthoor, rodou logo após a Curva 1, e a Cadillac Whelen #31 foi punida com um Drive Through por irregularidades na largada.
Na GTD, a RS1 Team teve um começo desastroso. O carro #28 bateu forte na Curva 1 e foi o primeiro a abandonar a corrida, sinalizando o tema de sobrevivência que definiria a noite.
Segunda Hora: Porsche Domina a GTP, Mas os Erros Persistem
Na segunda hora, o ritmo começou a se firmar, embora os tropeços continuassem. A liderança na GTP mudou internamente: Kevin Estre, no Porsche #6, assumiu a ponta, enquanto o #7 caiu para segundo antes de recuperar o comando com Felipe Nasr, demonstrando a astúcia estratégica da Porsche Penske desde cedo.
A Cadillac mostrou agressividade crescente. O #10 da Wayne Taylor Racing, com Albuquerque ao volante, passou o Acura #93 para terceiro, enquanto o #31 teve um susto ao ultrapassar carros da GTD PRO no meio do tráfego denso.
Nos boxes, a direção de prova foi implacável. GetSpeed #69, Pfaff #9 e Conquest Racing #34 levaram penalidades por infrações no pit lane, mostrando que a tolerância era zero. Na LMP2, o #52 da Bryan Herta Autosport, que vinha em segundo, rodou e perdeu posições valiosas.
O baque mais forte veio na GTD PRO: o Ferrari #62 da Risi Competizione, pilotado por Daniel Serra, quebrou a suspensão enquanto estava em sexto lugar e tentou voltar aos boxes devagar, marcando o início de um fim de semana frustrante para a equipe italiana.
Terceira Hora: Penalidades em Massa e Primeiras Baixas Definitivas
A terceira hora virou um verdadeiro festival de punições. Drive Throughs se acumularam nas classes GTD e GTD PRO, enquanto a LMP2 continuava instável. O #04 da CrowdStrike Racing rodou novamente na relargada, destacando as dificuldades para controlar os carros nas condições da pista.
O caos se intensificou quando o LMP2 #2 da United Autosports foi levado à garagem, seguido pelo abandono oficial da Risi Competizione na GTD PRO. Logo depois, um acidente entre o LMP2 #83 da AF Corse USA e o GTD #120 da Wright Motorsports resultou em mais um abandono, desta vez da Wright.
Na GTP, problemas técnicos surgiram. O Aston Martin THOR #23 recebeu um aviso por irregularidade técnica e começou a enfrentar falhas recorrentes, enquanto o BMW #25 acumulava penalidades no pit lane. Ainda assim, o Porsche Penske #7 mantinha a liderança sólida, defendendo-se do Acura #93 em disputas acirradas no tráfego.
Madrugada: Neblina Histórica Transforma a Corrida
A prova entrou em um capítulo surreal quando uma neblina espessa cobriu o circuito. A visibilidade caiu tanto que o helicóptero médico não pôde operar, impondo um Full Course Yellow prolongado que durou mais de seis horas.
Durante essa pausa forçada, as equipes aproveitaram para fazer reparos cruciais. A Porsche Penske fez inspeções profundas nos carros #6 e #7, com o líder parado por mais de dois minutos nos boxes para checar a suspensão. O safety car até precisou ser trocado após ficar exposto demais na pista, refletindo o caos climático.
Enquanto isso, a LMP2 viu líderes se alternarem constantemente, com Inter Europol, AO Racing e CrowdStrike trocando de posição conforme pit stops e penalidades. Na GTD, a briga entre os Aston Martin #27 e #44 começou a tomar forma de uma batalha direta pela vitória da classe.
Amanhecer: Corrida Volta ao Ritmo e Felipe Nasr Toma o Centro do Palco
Com o sol nascendo e a visibilidade melhorando, a competição voltou com tudo. Foi aí que Felipe Nasr escreveu mais um capítulo memorável em Daytona. Após várias relargadas e trocas de pneus, o brasileiro colocou o Porsche Penske #7 de volta na disputa pela liderança, executando ultrapassagens precisas e explorando o tráfego como um cirurgião.
A Cadillac Whelen #31, com Jack Aitken, surgiu como a maior ameaça, colando no Porsche nas horas finais. O embate entre Porsche e Cadillac virou uma guerra de estratégias, com undercuts, pneus desgastados e decisões tomadas a cada volta.
Nas classes GT, a disputa também fervia. A GTD PRO viu a Corvette #4 reassumir a liderança após vários abandonos, enquanto na GTD, Aston Martin e Mercedes travaram uma luta acirrada até o fim.
Últimas Duas Horas: Decisão Sob Pressão Máxima e Duelo Pelo Título Geral
As duas horas finais das 24 Horas de Daytona foram o ápice do que uma prova de endurance deve ser: estratégia no limite, tráfego crucial e um confronto direto entre montadoras pela vitória geral. A GTP ainda estava totalmente aberta, com Porsche e Cadillac separados por segundos, onde um erro poderia custar 24 horas de esforço.
Após o último ciclo de paradas, o Porsche Penske #7, com Felipe Nasr, retomou a liderança, mas logo foi pressionado pela Cadillac Whelen #31 de Jack Aitken. A diferença oscilava em torno de dois segundos, e o brasileiro teve que lidar com pneus frios, tráfego pesado e ataques incessantes do Cadillac.
Nasr entregou uma das performances mais maduras de sua carreira em Daytona. Usou o tráfego dos GTs com inteligência, fechou portas nos momentos certos e sacrificou décimos para ganhar segundos na volta seguinte. Em várias ocasiões, o Cadillac chegou a emparelhar, mas o Porsche #7 sempre saía na frente nas zonas de frenagem.
Enquanto isso, o Porsche Penske #6 lutava para segurar o pódio, sofrendo pressão do BMW #24, que o ultrapassou nas voltas finais e garantiu o terceiro lugar.
Na GTD, a disputa entre os Aston Martin #44 e #27 continuou intensa até o fim, com trocas de posição e estratégias de pneus divergentes. Na GTD PRO, a liderança se consolidou após uma corrida cheia de abandonos, penalidades e problemas mecânicos.
Quando a bandeira quadriculada baixou, Daytona entregou mais uma edição histórica – e, novamente, com o protagonismo brasileiro na classe principal.
Vencedores das 24 Horas de Daytona 2026
- Geral / GTP: Porsche Penske #7 — Felipe Nasr (Brasil)
- LMP2: CrowdStrike Racing By Apr #04
- GTD PRO: Paul Miller Racing #1
- GTD: Winward Racing #57
Destaques e Análise dos Pilotos Brasileiros
- Felipe Nasr — 1º lugar Geral / GTP
- Dudu Barrichello — 3º lugar na GTD
- Pietro Fittipaldi — 12º lugar na LMP2
- Enzo Fittipaldi — 12º lugar na LMP2 (mesmo carro de Pietro)
- Daniel Serra — Abandono (GTD PRO)
- Felipe Fraga — Abandono (GTD)
Destaques Internacionais
- Connor Zilisch — 2º lugar Geral / GTP
- Scott Dixon — 9º lugar Geral / GTP
- Alex Palou — 5º lugar Geral / GTP
- Will Power — 2º lugar Geral / GTD PRO
- Marcus Ericsson — 8º lugar / GTD
- Kyle Kirkwood — 10º lugar GTD PRO
- Scott McLaughlin — 17º lugar GTD
- Callum Ilott — Não terminou
- Christian Rasmussen — 5º lugar LMP2
- Nolan Siegel — 3º lugar LMP2
- Kyffin Simpson — 8º lugar LMP2
- James Roe — 6º lugar na GTD
- António Félix da Costa — 2º lugar LMP2
- Nick Cassidy — 3º lugar LMP2
- AJ Allmendinger — 9º lugar Geral / GTP: Experiente, mas não conseguiu mais.
- Nikita Johnson — 12º lugar GTD PRO: Lutou até o fim.
Conclusão: Daytona Reforça o Brasil no Topo do Endurance
Às 24 Horas de Daytona 2026 entrarão para a história não só pelo caos da largada, pela neblina histórica ou pelo volume recorde de penalidades, mas pela frieza competitiva de Felipe Nasr. O brasileiro venceu quando precisou defender, atacar e pensar como um estrategista – não apenas como piloto.
Daytona continua sendo território brasileiro. E, pelo que vimos nesta edição, essa narrativa ainda tem muito mais capítulos pela frente.
Por Ana Elisa Moreno ana_arquiteturaevelocidade





